02/06/2026
No passado dia 26 de maio de 2026, realizou-se o webinar “Além da Técnica”, promovido pela Associação dos Enfermeiros Portugueses de Ortopedia e Traumatologia (AEPOT), com o apoio da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT). Moderado por José Miguel Seguro, membro da AEPOT e Sanfil Medicina, o evento reuniu dois enfermeiros especialistas na área do pré-operatório para discutir a implementação da cirurgia robótica em Portugal.
A sessão teve início com a intervenção de João Meco, da ULS Coimbra, subordinada ao tema “experiência robótica e cirurgia ortopédica”. Na sua apresentação, destacou o papel do enfermeiro instrumentista na preparação e execução de cirurgias robóticas, bem como a sua experiência com o sistema MAKO na ULS Coimbra.
“O enfermeiro instrumentista é o profissional de enfermagem que, no desempenho das suas competências, tem como foco de atenção as necessidades da equipa cirúrgica, e assenta a sua tomada de decisão nos conhecimentos científicos e técnicos que lhe permitem conhecer e compreender a complexidade dos procedimentos e técnicas cirúrgicas”, referiu o profissional.
Durante o webinar, foram também abordados temas como “problemas técnicos na cirurgia robótica”, que deram origem a uma discussão de natureza técnica sobre falhas comuns neste tipo de procedimentos, nomeadamente questões relacionadas com antenas, registo anatómico e navegação cirúrgica.
Na reta final do evento, o moderador introduziu o tema das “relações com os países da Ásia”, enquadrando o estado da implementação da cirurgia robótica em Portugal. Foi referido que, embora a sua adoção esteja a avançar de forma gradual, sobretudo em cirurgias programadas, persistem importantes desafios financeiros e logísticos.
Os enfermeiros João Meco (ULS Coimbra) e Tiago Moreira (Hospital Luz Coimbra) salientaram que cada cirurgia robótica implica um investimento adicional entre 1.000 e 2.000 euros, o que torna esta tecnologia ainda pouco acessível e sem protocolos bem definidos no contexto nacional. Além disso, apontaram a ausência de software dedicado à revisão científica e o aumento do tempo operatório como obstáculos relevantes, defendendo a necessidade urgente de recolha de dados sobre a qualidade de vida dos doentes para avaliar o real impacto desta tecnologia.
Em síntese, o balanço global do webinar foi amplamente positivo, destacando-se a elevada qualidade científica das apresentações, a clareza pedagógica e o contributo direto para a formação contínua de internos e especialistas das áreas envolvidas.