II Reunião Nacional do GEMOG coloca consulta externa no centro da estratégia para a Ortopedia

01/07/2026

A consulta externa em Ortopedia deve deixar de ser encarada apenas como um indicador de produção e passar a ocupar um lugar central na organização dos cuidados, na qualidade da decisão clínica e na experiência dos doentes. Esta foi uma das principais conclusões da II Reunião Nacional do Grupo de Estudos de Gestão em Ortopedia (GEMOG) e Reunião dos Diretores de Serviço de Ortopedia, organizada pelo Serviço de Ortopedia da ULS Estuário do Tejo, em parceria com a SPOT.

O cocoordenador do GEMOG, Acácio Ramos, faz um balanço “francamente positivo” do encontro, considerando que os objetivos foram alcançados. “A reunião permitiu criar um espaço de discussão estruturada sobre uma área central da atividade ortopédica, reunindo médicos, diretores de serviço, gestores, profissionais de áreas de apoio clínico e representantes dos doentes. O objetivo era retirar a consulta externa de uma lógica meramente produtiva e colocá-la no centro da reflexão sobre qualidade da decisão clínica, acesso, eficiência e experiência assistencial.”

Ao longo da reunião foram debatidos os principais desafios da consulta externa, incluindo a sua organização, os indicadores de desempenho, os modelos internacionais e o papel da tecnologia. Entre as conclusões, destacou-se a necessidade de avaliar esta atividade para além do número de consultas realizadas. “A consulta externa não pode continuar a ser vista apenas como uma agenda de produção. É um momento decisivo no percurso do doente, onde se faz o diagnóstico, se decide o tratamento e se evita cirurgia desnecessária. Melhorar a consulta externa significa melhorar o funcionamento global do sistema”, sublinha. Defende ainda que “não basta contar consultas realizadas”, sendo necessário avaliar a qualidade das decisões, a resolução dos problemas apresentados, a utilização adequada dos recursos e a experiência dos doentes.

Os participantes identificaram desafios comuns à maioria dos serviços, como a crescente pressão sobre a consulta externa, as listas de espera, referenciações inadequadas, escassez de recursos humanos e dificuldades de articulação entre cuidados de saúde. Para o coordenador, o GEMOG poderá contribuir através da elaboração de documentos estratégicos e recomendações que promovam a partilha de experiências e modelos organizativos entre os diferentes serviços.

A reunião abordou ainda aspetos organizacionais, formativos e tecnológicos, incluindo a telemedicina e a inteligência artificial. “A tecnologia pode ajudar, mas não resolve, por si só, problemas de organização. Tem de ser integrada em processos bem desenhados e com objetivos clínicos claros”, salienta Acácio Ramos.

Como próximos passos, o GEMOG pretende elaborar um documento estratégico a apresentar até ao CNOT 2026, com propostas para modelos de consulta externa mais sustentáveis. A III Reunião Nacional deverá realizar-se no Norte do país e será dedicada à atividade cirúrgica. “O objetivo final é contribuir para uma Ortopedia mais organizada, mais sustentável e mais centrada na qualidade dos cuidados prestados aos doentes.”