STAL destaca os desafios das reconstruções tumorais e do salvamento de membro

04/11/2026

A Secção de Tumores do Aparelho Locomotor (STAL), coordenada por Vânia Oliveira, dedicou a sua sessão no 45.º CNOT aos desafios das reconstruções tumorais, com foco nas diferentes soluções cirúrgicas para o salvamento de membro. A sessão reuniu especialistas nacionais e internacionais para discutir técnicas de reconstrução complexas, as suas indicações e aplicações, incluindo situações de grandes perdas ósseas decorrentes de trauma e infeção.

O programa contou com a participação de dois convidados internacionais: o Professor Ulrich Lenze, da Alemanha, e o Dr. Francisco Baixauli García, presidente da Sociedade Espanhola de Cirurgia Ortopédica e Traumatologia (SECOT), além de elementos do grupo nacional. O objetivo foi promover a partilha de experiências e a discussão de diferentes abordagens, desde reconstruções com mega-endopróteses a soluções biológicas e híbridas, incluindo opções que permitem acompanhar o crescimento em idade pediátrica.

Segundo Vânia Oliveira, as reconstruções tumorais constituem um desafio particularmente exigente, pela complexidade dos procedimentos e pela necessidade de encontrar soluções adaptadas a cada doente. A coordenadora sublinhou que estas soluções de salvamento de membro ultrapassam o contexto oncológico, sendo igualmente relevantes perante grandes perdas ósseas associadas a trauma ou infeções.

A evolução desta área tem sido marcada pela inovação cirúrgica e tecnológica, com recurso a soluções personalizadas, impressão tridimensional (custom-made 3D print), sistemas modulares e técnicas de resseção guiada ou navegada. Para a coordenadora da STAL, a complexidade da patologia exige uma abordagem multidisciplinar e uma constante otimização dos resultados, de modo a minimizar complicações e responder às crescentes exigências funcionais dos doentes.

“É uma área de elevado peso económico pelo que é fundamental otimizar os resultados e minimizar complicações”, afirmou Vânia Oliveira, destacando ainda o potencial da inteligência artificial e da bioengenharia na transformação das várias fases do percurso oncológico, desde o diagnóstico e estadiamento até ao tratamento, reabilitação e seguimento. A coordenadora chamou também a atenção para a importância de desenvolver soluções que acompanhem a maior sobrevida dos doentes e as suas expectativas funcionais. Vânia Oliveira referiu ainda a osteointegração para pessoas amputadas como um avanço relevante nos casos em que não é possível preservar o membro.

A formação dos ortopedistas foi outro dos eixos centrais da intervenção da STAL. A secção tem procurado promover o reconhecimento precoce da patologia tumoral músculo-esquelética e a orientação adequada dos doentes, tendo em conta que o primeiro contacto pode ocorrer em diferentes contextos, nomeadamente no Serviço de Urgência ou na Consulta Externa. Neste âmbito, a STAL tinha dedicado um webinar, realizado a 19 de outubro, à abordagem das fraturas patológicas no Serviço de Urgência, com discussão de diferentes cenários clínicos.

Vânia Oliveira reforçou que os conhecimentos básicos nesta área são fundamentais para todos os ortopedistas, independentemente da sua subespecialidade. “Nesta patologia, a abordagem inicial não adequada compromete a vida, o membro e a função”, alertou, defendendo a importância da formação durante o internato e do funcionamento em rede, com fácil contacto e acesso aos centros de referência nacionais.

A sessão procurou, assim, reforçar a partilha de conhecimento e a atualização científica numa área em que a complexidade clínica, a inovação tecnológica e a necessidade de decisões atempadas tornam essencial o trabalho em equipa. “Juntos, para mais e melhor!”, concluiu a coordenadora, reiterando a disponibilidade dos elementos da STAL, dedicados a esta área tão específica da Ortopedia, para colaborar com todos os colegas interessados.