Secção da Anca debate a evolução e o futuro da cirurgia da anca

05/11/2026

A Secção da Anca, coordenada por André Sarmento, dedicou a sua sessão no 45.º CNOT à reflexão sobre o estado atual e o futuro da cirurgia da anca. Num ano marcado por mudanças na organização da subespecialidade, a sessão privilegiou uma abordagem abrangente, procurando estimular a discussão em torno dos principais desafios clínicos, técnicos e tecnológicos.

“O ano de 2026 representou um ano de transição para a Secção da Anca”, explicou André Sarmento, referindo que a evolução da subespecialidade evidenciou a necessidade de criar a Sociedade Portuguesa de Cirurgia da Anca. A proposta foi apresentada em assembleia-geral da SPOT e aprovada, constituindo um marco na organização desta área da Ortopedia.

Em vez de uma sessão centrada num único tema, a Secção da Anca optou por abordar diferentes questões relevantes para a prática clínica. A intenção foi colocar os assuntos de forma provocadora, de modo a gerar uma discussão produtiva e procurar responder a duas perguntas fundamentais: “onde estamos e para onde vamos”.

Na avaliação de André Sarmento, a cirurgia da anca encontrava-se em franca evolução, acompanhando a tendência observada noutras subespecialidades ortopédicas. Ainda assim, alertou para a necessidade de avaliar as novas técnicas à luz dos resultados a longo prazo. “Em cirurgia ortopédica, importa que os procedimentos sobrevivam ao teste do tempo”, sublinhou, acrescentando que as novas abordagens devem ser comparadas com técnicas utilizadas há várias décadas.

Esta preocupação foi particularmente relevante no domínio da cirurgia artroplástica. Segundo o coordenador, os novos implantes, apesar dos resultados positivos a curto prazo, tinham ainda de demonstrar vantagens face à artroplastia convencional, cuja experiência acumulada constituía uma referência importante. Também a cirurgia preservadora da anca precisava de consolidar o seu lugar entre as opções terapêuticas disponíveis.

Outro dos temas em destaque foi a incorporação de novas tecnologias na prática clínica. André Sarmento salientou que a cirurgia robótica, apesar de ser “altamente apelativa”, ainda precisava de justificar plenamente o seu lugar na cirurgia da anca. Referiu igualmente a crescente utilização da inteligência artificial no apoio à decisão clínica e no planeamento dos tratamentos, tendências que estavam a ganhar expressão na Ortopedia.

Neste contexto, o coordenador reforçou a importância de ponderar os benefícios das inovações face aos seus custos, lembrando que “o custo nem sempre é apenas financeiro”. A avaliação das novas soluções deverá, assim, considerar não só os resultados clínicos, mas também o seu valor efetivo para os doentes.

Por fim, André Sarmento apelou à participação ativa dos congressistas na sessão, que descreveu como um mini-update de cirurgia da anca. “Estas sessões têm particular interesse pela discussão e partilha de ideias, num debate que se pretende construtivo”, afirmou, destacando a importância do confronto de perspetivas para acompanhar a evolução da subespecialidade.