06/11/2026
A Associação de Enfermeiros Portugueses de Ortopedia e Traumatologia (AEPOT), presidida por Carmen Queirós, dedicou a sua sessão no 45.º CNOT aos percursos clínicos integrados e à continuidade dos cuidados de Enfermagem, desde a preparação para a cirurgia até à recuperação e ao regresso da pessoa à comunidade. O programa reuniu experiências, projetos inovadores e propostas para melhorar os percursos clínicos, colocando a pessoa no centro dos cuidados.
“Este ano, a AEPOT propõe uma reflexão sobre um dos grandes desafios da Enfermagem em Ortopedia e Traumatologia: como assegurar a integração e a continuidade dos cuidados ao longo de todo o percurso da pessoa, desde a preparação para a cirurgia até à sua recuperação e regresso à comunidade?”, explicou Carmen Queirós.
A sessão abordou diferentes estratégias desde a preparação pré-operatória, aos cuidados à pessoa com patologia osteoarticular e fraturas de fragilidade, à avaliação da qualidade dos cuidados e à utilização de novas tecnologias, incluindo implantes inteligentes, monitorização e acompanhamento após a alta. A inclusão da perspetiva da Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS) permitiu enquadrar estas experiências numa reflexão mais abrangente sobre a organização dos serviços, os percursos clínicos integrados e os desafios da continuidade dos cuidados.
O objetivo foi promover a partilha de experiências e identificar soluções que pudessem ser adaptadas aos diferentes contextos de trabalho. Como salientou a presidente, “queremos que esta seja uma sessão de partilha e debate, onde os colegas possam conhecer experiências que estão a ser desenvolvidas, encontrar ideias para os seus contextos de trabalho e contribuir para a discussão sobre o futuro dos cuidados de Enfermagem em Ortopedia e Traumatologia”.
Ao analisar a evolução da área, Carmen Queirós destacou os progressos científicos e tecnológicos, num contexto marcado pelo aumento da longevidade da população, pela multimorbilidade e pela fragilidade. Estes fatores colocaram novos desafios à promoção da funcionalidade, da autonomia e da qualidade de vida, exigindo também uma atenção crescente à sustentabilidade do sistema de saúde.
A evolução tecnológica, particularmente a inteligência artificial, tem vindo a abrir novas possibilidades para apoiar a decisão clínica, personalizar intervenções e melhorar a continuidade dos cuidados. No entanto, Carmen Queirós alertou para a importância de preservar a dimensão humana da prática profissional: “o desafio será garantir que esta transformação mantenha a pessoa no centro dos cuidados e preserve o julgamento clínico, a relação terapêutica e a participação dos profissionais e das pessoas nas decisões”.
Outro dos aspetos destacados foi a necessidade de avaliar a qualidade dos cuidados para além dos indicadores clínicos tradicionais. Para Carmen Queirós, importa valorizar “os resultados que importam às pessoas e a sua experiência ao longo do percurso assistencial”. A valorização e retenção dos enfermeiros foram igualmente identificadas como prioridades, defendendo a criação de condições que favoreçam a estabilidade das equipas, o desenvolvimento profissional e a redução da rotatividade. Como sublinhou, “a qualidade dos cuidados também depende das condições em que os profissionais trabalham”.
Na mensagem dirigida aos participantes, a presidente apelou a uma maior aproximação entre investigação e prática clínica, defendendo que a evidência científica deve traduzir-se em decisões e intervenções com impacto real na vida das pessoas. Reforçou também a importância do trabalho interdisciplinar e da valorização dos diferentes profissionais, lembrando que “a qualidade dos cuidados e a sustentabilidade do sistema de saúde dependem também da forma como cuidamos dos nossos profissionais”.
A sessão teve ainda um significado especial para Carmen Queirós, por assinalar o seu último Congresso enquanto presidente da AEPOT. A responsável aproveitou a ocasião para agradecer a todos os que contribuíram para o trabalho desenvolvido ao longo do seu mandato e manifestou o desejo de que a associação continuasse a ser “um espaço de partilha, colaboração e valorização da Enfermagem em Ortopedia e Traumatologia”.
Como mensagem final, deixou um desafio à comunidade profissional: “não nos limitarmos a acompanhar a evolução dos cuidados em Ortopedia e Traumatologia, mas assumirmos um papel ativo na construção do seu futuro”. E concluiu com um apelo à preservação da dimensão humana da profissão: “perante os avanços científicos e tecnológicos, nunca percamos de vista a dimensão humana do cuidar, colocando a empatia, a relação terapêutica e o respeito pela singularidade de cada pessoa no centro da nossa prática”.



