07/11/2025
No 44.º Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia, o Grupo de Estudo de Modelos de Organização e Gestão (GEMOG) da SPOT centra a sua intervenção nos modelos organizacionais dos serviços de urgência e no papel da Ortopedia nesse contexto. “Queremos regressar ao tema da nossa Reunião Anual, refletindo sobre onde estamos hoje e onde queremos estar em 2035”, explica Acácio Ramos, cocoordenador do GEMOG, em conjunto com Pedro Dantas. Esta abordagem enquadra-se no plano estratégico do grupo, que tem vindo a promover uma visão científica e estruturada das questões de organização e gestão em Ortopedia.
A sessão do GEMOG pretende reunir profissionais de diferentes gerações e regiões do país para debater a sustentabilidade dos atuais modelos de urgência, a distribuição e formação de recursos humanos e a preparação de um plano estratégico que possa servir de base a uma proposta a apresentar pela SPOT à tutela. “O nosso objetivo é contribuir de forma positiva para a resolução de um problema que tem vindo a crescer e a ameaçar o funcionamento dos hospitais públicos”, sublinha Acácio Ramos.
Paralelamente, o grupo apresentará uma nova iniciativa nacional dedicada à melhoria das competências em gestão de conflitos, um projeto que o GEMOG desenvolverá em parceria com uma instituição académica de referência, garantindo rigor científico e metodologias de ensino avançadas. “Trata-se de um programa de formação continuada, sustentado em evidência e adaptado à realidade dos serviços ortopédicos portugueses, que permitirá aos médicos reconhecer, prevenir e gerir situações de conflito no contexto clínico e organizacional”, adianta o cocoordenador. A iniciativa incluirá workshops presenciais e visa capacitar ortopedistas para funções de coordenação, liderança de equipas e tomada de decisão em ambientes complexos, com impacto direto na qualidade do trabalho, no bem-estar das equipas e na segurança dos doentes. “Mais do que um curso isolado, é um investimento estratégico na profissionalização da liderança médica em Ortopedia, uma área essencial para o futuro sustentável da especialidade e dos serviços de saúde em Portugal”, acrescenta.
Para Acácio Ramos, a área da gestão e organização em Ortopedia tem evoluído significativamente na última década, acompanhando a crescente complexidade dos serviços de saúde e a necessidade de otimização de recursos. No entanto, persistem desafios estruturais relevantes. “Continuamos a enfrentar a escassez e má distribuição de recursos humanos, sobretudo nas urgências e fora dos grandes centros urbanos. Há uma pressão assistencial crescente, impulsionada pelo envelhecimento da população, e modelos de financiamento desajustados que comprometem a atratividade e a sustentabilidade da especialidade”, observa. Além disso, considera que falta ainda consolidar uma cultura organizacional centrada na melhoria contínua e na liderança clínica. “O futuro exigirá maior integração entre a gestão clínica e estratégica, formação em liderança e trabalho em equipa, e uma adaptação constante a novas tecnologias e modelos de governação, mantendo sempre o foco na qualidade dos cuidados prestados aos doentes.”
Com uma perspetiva voltada para o futuro, Acácio Ramos deixa uma mensagem clara a todos os participantes do Congresso: “O futuro da Ortopedia portuguesa dependerá da capacidade de pensar a organização dos serviços com a mesma seriedade com que pensamos a ciência e a técnica cirúrgica.” Para o coordenador do GEMOG, a chave para a evolução da especialidade está nas pessoas e na forma como trabalham juntas. “Melhorar os cuidados começa por melhorar as equipas, o modo como comunicam, colaboram e se organizam”, afirma.
“Convidamos todos os colegas a participar ativamente nesta discussão, a contribuir com a sua experiência e a integrar uma rede que procura repensar a Ortopedia portuguesa a partir da base organizacional, mais eficiente, mais humana e mais sustentável”, concluiu.