08/11/2025
No 44.º Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia, a JESPOT (Jovens Especialistas da SPOT), coordenada por André Vinha e Duarte Sousa, assume um papel de destaque ao colocar no centro do debate dois temas que espelham a profunda transformação tecnológica e digital da prática ortopédica contemporânea: a inteligência artificial no diagnóstico em contexto de urgência e o planeamento pré-operatório assistido por software.
Segundo André Vinha, “a inteligência artificial está a mudar a forma como olhamos para o diagnóstico, sobretudo em cenários de urgência, onde o tempo e a precisão são fatores críticos”. A sessão intitulada “Inteligência Artificial no Diagnóstico em Contexto de Urgência de Ortopedia”, que contou com a presença de Gabriel Bernardi (GLEAMER), pretendeu demonstrar as potencialidades da IA na identificação e diagnóstico de fraturas, evidenciando como esta tecnologia pode funcionar como um aliado clínico. “Queremos mostrar que a IA não substitui o ortopedista, mas acrescenta-lhe capacidade de decisão, reduzindo o erro humano e aumentando a segurança do doente”, acrescenta o coordenador.
A segunda sessão, dedicada ao tema “Planeamento Pré-operatório”, teve como orador Tiago Rodrigues (SECTRA) e visou demonstrar as vantagens do planeamento digital nas cirurgias artroplásticas e traumatológicas. De acordo com Duarte Sousa, “o planeamento assistido por tecnologia permite ao cirurgião preparar melhor cada intervenção, tornando-a mais previsível e eficaz”. O coordenador sublinha ainda que “a digitalização veio permitir um grau de precisão e de antecipação que seria impensável há apenas alguns anos. Hoje conseguimos visualizar, planear e ajustar a cirurgia antes mesmo de entrar no bloco operatório”.
Com estas duas apresentações, a JESPOT quer, nas palavras de André Vinha, “estimular a reflexão sobre o papel da tecnologia na Ortopedia e aproximar o mundo clínico do universo tecnológico, sempre com um foco inabalável: melhorar a qualidade e a segurança dos tratamentos ortopédicos”. O objetivo é criar pontes entre gerações, especialidades e abordagens, promovendo uma Ortopedia mais colaborativa e preparada para o futuro.
Ao analisar a evolução da especialidade, Duarte Sousa reconhece que “a Ortopedia vive uma das fases mais estimulantes da sua história”. A introdução de novas tecnologias, a robótica, o planeamento digital e a inteligência artificial estão a transformar o modo como se diagnostica, planeia e trata o doente ortopédico. Contudo, alerta que “esta revolução tecnológica traz consigo uma enorme responsabilidade: a de garantir que os médicos estão devidamente preparados para usar estas ferramentas de forma ética, científica e humana”. Para o coordenador, “a tecnologia deve servir o médico e o doente, nunca substituí-los”.
Ambos os coordenadores concordam que o maior desafio será manter a humanização da Medicina num contexto cada vez mais tecnológico. “A Ortopedia do futuro será mais digital e mais precisa, mas nunca poderá perder a sua essência: o contacto humano, a empatia e o compromisso com a qualidade de vida dos doentes”, afirma André Vinha.
Na mensagem final dirigida aos participantes do congresso, os coordenadores da JESPOT deixam um apelo entusiástico à participação e ao espírito de comunidade. “Vivemos um momento de mudança e é a nossa geração que vai definir o rumo da ortopedia portuguesa nas próximas décadas”, refere Duarte Sousa. “Queremos inspirar os jovens especialistas a envolverem-se, a questionar, a inovar e a contribuir para uma Ortopedia mais moderna, mais crítica e mais colaborativa”, completa André Vinha.
A JESPOT reforça, assim, a sua identidade como um espaço de encontro e crescimento para os jovens ortopedistas portugueses. “O futuro da nossa especialidade depende da capacidade de unir experiência e inovação, e é exatamente nesse ponto de equilíbrio que queremos estar: como motor de diálogo, formação e inspiração para o futuro da Ortopedia em Portugal”, concluem os coordenadores.