Medicina dos Seguros em debate no 44.º CNOT: desafios no tratamento de doentes com acidentes de trabalho

06/11/2025

O tema da “Medicina dos Seguros” esteve em destaque no 44.º Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia, com uma sessão dedicada às especificidades no tratamento de doentes com acidentes de trabalho. O debate reuniu especialistas de várias áreas, que abordaram as complexidades médicas, legais e de gestão associadas a este tipo de situações clínicas.

Sob moderação de Rui Pinto e Miguel Trigueiros, a primeira parte da sessão intitulada “Isto é um acidente de trabalho? Do conceito à prática” contou com diferentes perspetivas sobre o tema. José Augusto Vaz, representante da Generali/Tranquilidade, apresentou a visão da gestão, destacando a importância da correta caracterização dos acidentes e da comunicação entre as seguradoras, as entidades empregadoras e as unidades de saúde. Seguiu-se a intervenção do Manuel Ribeiro da Silva, que expôs a perspetiva médica, sublinhando a necessidade de uma abordagem clínica rigorosa e de uma articulação eficaz entre ortopedistas e seguradoras para garantir o melhor tratamento e reabilitação dos sinistrados. Já Francisco Corte Real, do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF), apresentou o enquadramento médico-legal, clarificando conceitos fundamentais sobre nexo de causalidade e critérios de avaliação de incapacidade, essenciais para uma correta decisão pericial.

Na segunda parte, dedicada à discussão de casos clínicos, os moderadores Rodrigo Moreira, José Manuel Teixeira e Francisco Serdoura promoveram um debate dinâmico sobre temas como o nexo de causalidade, o melhor tratamento para a recuperação funcional e as situações de possível fraude. Carlos Maia Dias e Carlos Pedrosa apresentaram exemplos práticos que ilustraram a complexidade e a diversidade de casos enfrentados pelos profissionais que lidam com doentes vítimas de acidentes de trabalho.

A sessão evidenciou a relevância de uma abordagem multidisciplinar na Medicina dos seguros, em que a cooperação entre médicos, seguradoras e peritos legais é essencial para garantir a justiça, a eficácia terapêutica e a sustentabilidade do sistema.