Projeto da SPOT procura revitalizar os Registos Nacionais de Ortopedia

Na busca pela excelência científica e pelo aprimoramento dos cuidados de saúde, a Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT) tem, em desenvolvimento, o projeto da Comissão para a Restruturação dos Registos. Este órgão tem como missão analisar e reavaliar os registos nacionais de procedimentos cirúrgicos, visando aprimorar a sua eficácia e utilidade pública. Em entrevista, Francisco Requicha, o responsável da Comissão para a Restruturação dos Registos da SPOT, explica a importância deste órgão e os passos a implementar para garantir o seu sucesso.

Em que consiste a Comissão para a Restruturação dos Registos da SPOT?

Francisco Requicha (FR) – Os registos nacionais procuram analisar um determinado procedimento cirúrgico realizado nesse país. São verdadeiras instituições que definem um conjunto de dados a ser recolhido para permitir um estudo demográfico, quantificação e identificação das cirurgias realizadas e implantes colocados, e definem variáveis a estudar para aferir os resultados dos procedimentos. Assim, têm um interesse não só científico, mas de utilidade pública dada a morbilidade e encargos financeiros inerentes aos diversos tipos de cirurgias. Foram sendo criados diversos registos na SPOT. A comissão surge para analisar o que foi feito e estudar a sustentabilidade dos mesmos.

Quais os principais objetivos?

FR – Os registos nacionais de diversos países têm-se revelado fundamentais na análise da demografia, qualidade de implantes e prática cirúrgica, principalmente os de artroplastias. São instituições com uma vitalidade científica e organizacional impressionante, e de reconhecido prestígio e importância pelas instituições governamentais que gerem os sistemas de saúde desses países. São autênticas instituições de interesse público. Os nossos registos não conseguiram atingir esse crescimento, vitalidade e sustentabilidade. É necessário analisar o que foi desenvolvido, compreender as razões pelas quais a adesão à participação e a capacidade para captação, processamento e publicação de dados não ocorreu da forma esperada. Se conseguirmos encontrar os motivos, e paralelamente analisarmos a forma de funcionamento dos melhores registos nacionais estrangeiros, tentaremos compreender se é possível replicar os mesmos no nosso país.

Que atividades futuras gostaria de destacar?

FR – O primeiro passo será compreender a dimensão organizacional necessária para a criação, funcionamento e sustentabilidade dos registos. Existem três vertentes fundamentais que são necessárias garantir: recursos humanos de adequada dimensão; criação de legislação para a colheita, armazenamento, processamento e publicação dos dados; viabilidade e independência financeira. Atendendo ao sucesso e extrema relevância pública e científica dos registos de artroplastias, o principal foco será o Registo Português de Artroplastias. De seguida, será necessário identificar e convocar todos os stakeholders. Iremos discutir a importância e complexidade do esforço de todos para criar um registo nacional eficaz na captação, tratamento e publicação dos dados, bem como sugerir formas para a sua implementação e sustentabilidade. Só após estes dois passos poderemos aferir a possibilidade de criar um registo nacional eficaz, com vitalidade, sustentabilidade, independência e credibilidade.