06/11/2025
A Secção da Anca da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT) dedicou a sua sessão no 44.º Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia às novidades e inovações nas artroplastias totais da anca, um dos procedimentos mais realizados e com maior taxa de sucesso na Ortopedia moderna.
Segundo o coordenador da Secção, André Sarmento, “a artroplastia total da anca foi durante muitos anos, e continua a ser, o procedimento mais executado e com maior sucesso no tratamento da patologia da anca”. Contudo, o especialista sublinha que, apesar dos excelentes resultados obtidos, “as inovações continuam a surgir, especialmente ao nível dos implantes e das novas tecnologias”. O objetivo central da sessão foi, por isso, “avaliar o impacto da aplicação dessas tecnologias na prática clínica e perceber se se traduzem efetivamente numa melhoria dos resultados”.
Para André Sarmento, a área da anca vive uma fase de transformação profunda. “Nos últimos anos, a intervenção do cirurgião da anca expandiu-se de forma tremenda. Passámos de um paradigma em que a cirurgia artroplástica era praticamente a única vertente da nossa atividade, para uma realidade em que a cirurgia preservadora, artroscópica ou não, e os procedimentos ligados à Medicina Desportiva têm ganho grande relevância.” O coordenador destaca ainda o crescimento dos tratamentos ortobiológicos, que, embora não substituam a cirurgia quando indicada, “podem desempenhar um papel coadjuvante na obtenção de melhores resultados para os doentes”.
Entre os desafios futuros, André Sarmento aponta dois grandes eixos de reflexão. O primeiro relaciona-se com o próprio sucesso da artroplastia total da anca: “O aumento exponencial do número de intervenções levará inevitavelmente ao crescimento das cirurgias de revisão, que são muito mais complexas e com resultados menos previsíveis do que as artroplastias primárias.” O segundo desafio prende-se com a necessidade de manter um olhar crítico sobre a inovação tecnológica: “Temos de ser capazes de avaliar, de forma objetiva e contínua, se as novas tecnologias trazem realmente benefícios para o doente, sobretudo tendo em conta os custos significativos que implicam.”
Numa mensagem dirigida aos participantes, o coordenador da Secção da Anca lança um convite à presença e ao envolvimento ativo: “Estou seguro de que podemos todos aprender uns com os outros. Preparamos uma sessão com um tema atual e relevante, num ambiente de partilha e crescimento mútuo. A Secção tem vivido um rejuvenescimento que potencia o debate aberto e a troca de experiências.”
