07/11/2024
No 43.º Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia da SPOT, a Secção do Punho e Mão esteve em destaque com uma série de sessões que abordaram temas centrais na prática ortopédica contemporânea. A coordenadora da Secção, Filipa Santos Silva, liderou as discussões, que se dividiram em duas partes focadas em síndromes de overuse e abordagens diversas no tratamento de patologias da mão.
“A primeira sessão foi dedicada às síndromes de overuse, um tema que, embora menos entusiasmante para quem prefere a cirurgia, é uma constante na nossa prática clínica, especialmente devido à sua associação com o uso crescente da tecnologia”, explicou Filipa Santos Silva. “Tivemos intervenções de Miguel Medalhas Cardoso, da Medicina Desportiva, que falou sobre a síndrome de overuse no desporto, de Ana Zão, da Fisiatria, que abordou o problema nos músicos, e da nossa colega Ana Rita Cavaca, que discutiu as síndromes relacionados com o uso excessivo de computadores e telemóveis.”
A segunda parte da sessão adotou um formato inovador, inspirado no estilo “Mythbusters”, onde diferentes abordagens ao tratamento de patologias foram exploradas. “O nosso objetivo foi mostrar que, na Ortopedia, não há apenas uma solução correta para cada problema. Cada caso deve ser analisado em função das circunstâncias específicas do hospital, da população tratada e das habilidades do cirurgião”, afirmou a coordenadora.
Nesta sessão interativa foram discutidos três temas principais. “No que toca à patologia tendinosa, eu e o Dr. Diogo Casal, da Cirurgia Plástica, partilhámos as nossas experiências”, explicou Filipa Santos Silva. “Seguiu-se uma apresentação sobre fraturas das falanges, com a colaboração dos colegas Alexandre Pereira e Luís Machado Rodrigues. Por fim, o tratamento da rizartrose foi discutidopor. Carlos Pina e José Alexandre Marques, que trouxeram abordagens distintas, mostrando a evolução no tratamento desta condição.”
A sessão teve como base o plano formativo de punho e mão da SPOT, que visa uniformizar a formação dos internos, algo que, segundo a coordenadora, é muito necessário devido às diferentes abordagens em cada hospital. “Este congresso veio complementar o trabalho que temos feito na formação dos internos dedicados à mão, ajudando a uniformizar os conhecimentos em áreas cruciais”, sublinhou.
Para Filipa Santos Silva, a principal mensagem deixada aos participantes foi clara: “Queremos alertar para a frequência das síndromes de overuse, a sua prevenção e tratamento, e ao mesmo tempo mostrar que, em temas onde a literatura pode ser muito rígida, já houve uma grande evolução. Não existe uma única forma correta de tratar, e é essencial que cada profissional conheça as suas capacidades e tome decisões com base nelas.
O 43.º Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia reforçou, assim, o compromisso da Secção de Punho e Mão da SPOT em continuar a promover a excelência clínica através da partilha de conhecimentos e da evolução contínua das práticas ortopédicas em Portugal.





