07/11/2025
No 44.º Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia, a Secção de Trauma da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT) desafia a comunidade científica a refletir sobre o impacto das novas tecnologias na prática clínica.
Sob o tema “Inteligência Artificial no Trauma Ortopédico: Ferramenta, Transformação ou Tentação?”, o grupo propõe um debate sobre os limites e as potencialidades da inteligência artificial (IA) no tratamento do trauma ortopédico.
“Pretendemos suscitar uma reflexão informada sobre o impacto crescente das tecnologias digitais e da inteligência artificial na prática ortopédica”, explica Miguel Marta, coordenador da Secção de Trauma. “Queremos questionar se a IA deve ser entendida como uma ferramenta de apoio, um fator de transformação estrutural ou, eventualmente, uma tentação que desafia os limites éticos e clínicos da decisão médica.”
A participação da Secção de Trauma no Congresso não se limita à sessão temática. O programa inclui ainda dois cursos pré-congresso e cinco sessões científicas, entre as quais se destaca a apresentação do Prémio de Melhor Trabalho de Trauma. “Esta programação espelha o papel ativo da Secção na promoção da formação, da investigação e do debate científico dentro da SPOT”, sublinha Miguel Marta.
Em 2025, a Secção de Trauma assinala cerca de 15 anos de atividade ininterrupta, desde a criação, em 2011, do então Grupo de Estudos de Trauma. Para Miguel Marta, esta trajetória reflete uma evolução consistente e sustentada, marcada por um espírito colaborativo e transversal. “Desde o início, procurámos contribuir de forma construtiva para o desenvolvimento da traumatologia ortopédica em Portugal, orientados pelos valores da SPOT: excelência científica, ética profissional, solidariedade e compromisso com o progresso da ortopedia nacional.”
Entre as iniciativas mais relevantes da Secção, destacam-se debates sobre temas estruturantes, como os modelos organizativos dos serviços, o erro e a responsabilidade médica, e as políticas de saúde, com a participação de Bastonários da Ordem dos Médicos e de Ministros da Saúde. Paralelamente, foram promovidas sessões clínicas e formativas, incluindo o formato “Tudo o que sempre quis saber sobre…”, que tem contribuído para a atualização prática dos ortopedistas.
Nos últimos anos, a aposta na formação estruturada ganhou novo fôlego com o lançamento do Curso Básico de Trauma da SPOT, em 2023, e o planeamento do Curso Avançado, previsto para 2025. “Estes programas representam um passo decisivo na consolidação de uma formação orientada para a qualidade assistencial e a harmonização das práticas clínicas”, reforça o coordenador.
O futuro da traumatologia, segundo Miguel Marta, será marcado por desafios exigentes e transformadores — desde a integração da análise de dados e da inteligência artificial até à reorganização dos sistemas de urgência e emergência. Mas há um objetivo maior: “O grande desafio continuará a ser o da afirmação plena da traumatologia dentro do universo ortopédico. Uma afirmação que se alcançará através da formação, da profissionalização e da crescente capacitação de todos quantos se dedicam a esta área essencial.”
Aos participantes do Congresso, Miguel Marta deixa uma mensagem de reconhecimento e esperança: “O trauma ortopédico deve ser entendido como uma área central da ortopedia, que exige o mesmo grau de investimento, prestígio e reconhecimento científico que as demais subespecialidades. É um campo que simboliza, de forma exemplar, o compromisso da ortopedia com o serviço público, a resposta à urgência e o impacto social da nossa prática.”
O coordenador faz ainda questão de sublinhar o caráter coletivo do percurso da Secção: “Este caminho foi moldado por muitos colegas que, ao longo dos anos, deram de si para fazer crescer este projeto e consolidar a identidade da Secção. É desse espírito de entrega e partilha que nasce o impulso para o futuro — um futuro que pertence a uma nova geração de ortopedistas, determinada a prosseguir este trabalho com excelência, inovação e sentido de missão.”
Com o olhar simultaneamente voltado para o passado e para o futuro, Miguel Marta conclui:
“O passado inspira-nos; o futuro exige-nos — com a mesma determinação, a mesma esperança e o mesmo espírito de serviço que têm orientado a atuação da Secção de Trauma desde o seu início.