08/11/2025
No 44.º Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia, a Secção de Tumores da SPOT reforça o seu compromisso com a formação e capacitação dos ortopedistas, com particular foco na educação dos internos. “A STAL neste biénio visa a educação e formação de internos de Ortopedia”, sublinha Vânia Oliveira, coordenadora da Secção.
Dando continuidade ao trabalho desenvolvido com os webinares “Fraturas Patológicas e Tumores Moles: STOP!” e “Biopsar: quando, onde, quem e como?”, a Secção prepara-se agora para lançar um novo tema provocador: “Tumores Benignos são leave me alone lesions?”. Além disso, no dia 5 de novembro, em contexto pré-Congresso, terá lugar um Curso Prático em Tumores Músculo-Esqueléticos inédito, um workshop baseado em casos clínicos, em formato de rotação de mesas, que culminará com a atribuição de um prémio final: um estágio de uma semana num Centro de Referência Nacional e Europeu em Sarcomas Ósseos e Moles (ULS Santo António). “Contamos com a participação dinâmica e entusiasta dos nossos internos”, destaca Vânia Oliveira.
A coordenadora reconhece que a evolução da área tem sido marcada por grandes avanços tecnológicos e pela crescente preocupação com a qualidade de vida dos doentes. “Os doentes oncológicos e a população em geral têm um significativo aumento da sobrevida e é essencial a qualidade de vida”, afirma. Para Vânia Oliveira, é urgente reforçar a importância do diagnóstico e das abordagens adequadas dos tumores músculo-esqueléticos, promovendo sempre uma atuação integrada com os Centros de Referência Nacionais. “É fundamental todos os ortopedistas estarem familiarizados e sensibilizados para a abordagem básica inicial destas patologias. O contacto com estas doenças é transversal a todas as áreas anatómicas e pode surgir em qualquer momento, tanto na urgência como no consultório”, alerta.
A coordenadora sublinha também que os avanços na cirurgia de salvamento de membro, com megapróteses tumorais modulares e reconstruções biológicas ou híbridas, representam um progresso decisivo, acompanhado pelo desenvolvimento contínuo da tecnologia médica. “A cirurgia ortopédica oncológica apresenta elevada complexidade e desafios constantes, pelo que os avanços tecnológicos têm um grande impacto para facilitar, minimizar riscos e aumentar a precisão e eficácia”, explica. “Destaca-se a localização pélvica, onde a cirurgia assistida por navegação faz a diferença. O uso da realidade mista, aumentada e virtual, bem como os avanços na aplicação da inteligência artificial e da robotização, também irão impactar profundamente a cirurgia ortopédica oncológica.”
Dirigindo-se a todos os participantes do Congresso, Vânia Oliveira deixa uma mensagem clara de sensibilização e responsabilidade partilhada: “Todos os ortopedistas têm probabilidade de virem a contactar com a patologia tumoral. A abordagem do básico em tumores músculo-esqueléticos faz toda a diferença para o diagnóstico correto e tratamento adequado, sem comprometer a função, o membro ou a sobrevivência do doente.” A coordenadora relembra que o tratamento em Ortopedia oncológica é sempre multidisciplinar e individualizado, e que, devido à raridade e heterogeneidade destas patologias, “é fundamental que seja realizado em Centros de Referência, com equipas experientes e dedicadas”.
Com um olhar atento à formação, à inovação e à humanização dos cuidados, a Secção de Tumores reafirma o seu papel essencial na promoção da literacia em saúde, na consolidação da prática multidisciplinar e no compromisso com uma ortopedia mais preparada para responder aos desafios da Oncologia moderna.