SEOGER alerta para a urgência de modelos integrados de Ortogeriatria e prevenção da osteoporose

06/11/2025

A Secção para o Estudo da Ortopedia Geriátrica (SEOGER) centrou a sua intervenção no 44.º Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia num dos temas mais prementes da prática ortopédica moderna: as fraturas de fragilidade e a necessidade urgente de desenvolver modelos integrados de Ortogeriatria.

Segundo o coordenador da Secção, António Miranda, “a incidência de fraturas de fragilidade aumenta todos os dias”. Dentro deste grupo, destaca, “as fraturas proximais do fémur e as fraturas periprotésicas têm um enorme impacto social, organizacional, epidemiológico e económico”. Perante este cenário, a Ortogeriatria surge como resposta à complexidade do doente idoso, propondo “modelos de organização multidisciplinares e integrativos que corresponsabilizam ortopedistas e geriatras no tratamento global do doente traumatológico”.

Durante a sessão da SEOGER foram discutidos modelos internacionais de sucesso, incluindo a apresentação da experiência de um centro ortogeriátrico do Reino Unido, que servirá de base à reflexão sobre a criação de um modelo nacional de Ortogeriatria. “Queremos desenhar o percurso do doente com fratura do colo do fémur, desde o episódio agudo até à reabilitação e prevenção de novas fraturas”, explica António Miranda, sublinhando a importância de criar registos nacionais e indicadores clínicos que sustentem políticas de saúde pública eficazes.

A sessão abordou também a osteoporose como elemento central da prevenção secundária. “É fundamental encarar o tratamento da osteoporose como profilaxia da segunda fratura”, salienta o coordenador, recordando que “mesmo uma simples fratura do rádio de baixa energia pode ser um sinal de alerta precoce e ignorá-la pode levar a fraturas mais graves no futuro”.

Quanto à evolução da área, António Miranda é claro: “Há muito por fazer numa área crítica da saúde pública portuguesa e mundial.” Apesar de alguns países já estarem a implementar programas estruturados, “Portugal ainda não acordou totalmente para este problema”. O coordenador defende que é indispensável “criar protocolos nacionais e registos de indicadores que permitam conhecer a realidade, reduzir as assimetrias regionais e gerar evidência sobre o que se faz bem e o que precisa de ser corrigido”.

Na sua mensagem final aos participantes do Congresso, António Miranda deixa dois apelos centrais: “Em primeiro lugar, é importante que todos os ortopedistas compreendam que tratar doentes idosos não é apenas tratar fraturas. Precisamos de equipas multidisciplinares e de Unidades de Ortogeriatria que garantam um acompanhamento global e coordenado.” Em segundo lugar, reforça a urgência da prevenção: “A profilaxia e o tratamento da osteoporose são essenciais para evitar novas fraturas. É lamentável que menos de 15% dos doentes com fraturas de fragilidade sejam posteriormente seguidos e tratados.”

E conclui com uma mensagem prática e de compromisso: “Cabe-nos, enquanto ortopedistas, dar o primeiro passo. Mesmo que não possamos tratar diretamente a osteoporose, devemos pelo menos sinalizar estes doentes à alta hospitalar para seguimento adequado junto dos médicos de família ou em consultas FLS (Fracture Liaison Services), que já existem, embora ainda em poucos hospitais.”

Com esta intervenção, a SEOGER reafirma o seu papel de sensibilização e liderança na criação de políticas e práticas que respondam ao envelhecimento da população, defendendo uma Ortopedia moderna, interdisciplinar e orientada para a qualidade de vida do doente idoso.