06/11/2026
A Sociedade Portuguesa para o Estudo da Patologia do Joelho (SPEJ), presidida por Paulo Ribeiro de Oliveira, dedicou a sua sessão no 45.º CNOT à revisão da artroplastia do joelho, abordando os principais desafios clínicos e cirúrgicos desta área. O programa procurou comparar a evolução dos últimos 25 anos com a experiência atual de seis serviços de Ortopedia de norte a sul do país, promovendo a partilha de conhecimentos e a discussão de casos complexos.
“Este ano quisemos pegar num tema que nos toca a todos no dia a dia: a revisão do joelho”, explicou Paulo Ribeiro de Oliveira. A sessão abordou questões particularmente exigentes, como a infeção periprotésica, os defeitos de partes moles, as grandes perdas ósseas e as fraturas periprotésicas em doentes mais frágeis. A organização dos cuidados a nível nacional, incluindo a distribuição dos procedimentos pelos diferentes serviços, também integrou o programa. A sessão terminou com uma mesa-redonda interativa, centrada em casos difíceis e na participação da audiência através da votação.
Na avaliação do presidente da SPEJ, a cirurgia de revisão do joelho evoluiu significativamente, beneficiando de equipas mais diferenciadas, melhores implantes e maior conhecimento científico. Contudo, alertou para a complexidade destes procedimentos, salientando que “quem faz mais próteses primárias acaba por fazer mais revisões, e essas são cirurgias que exigem muito de nós e dos serviços”.
A inovação tecnológica constituiu outro dos temas centrais da reflexão. Paulo Ribeiro de Oliveira reconheceu o potencial da cirurgia robótica, que já demonstrava vantagens ao nível da precisão do planeamento, do alinhamento e do posicionamento dos implantes. Ainda assim, defendeu uma abordagem criteriosa, sublinhando que era necessário confirmar, através de estudos com seguimento a longo prazo, se estes avanços se traduziam em melhores resultados funcionais e maior sobrevivência dos implantes. Os custos e a curva de aprendizagem foram igualmente apontados como fatores a considerar.
A inteligência artificial foi também identificada como uma ferramenta com potencial para transformar a prática clínica, nomeadamente no planeamento pré-operatório, na análise de imagem, na identificação de doentes com maior risco de infeção ou falência do implante e na análise de dados dos registos clínicos. Na perspetiva do presidente da SPEJ, “bem validada, pode ajudar-nos a decidir melhor, sempre como apoio à decisão do cirurgião e nunca como substituto”.
Entre os principais desafios futuros, Paulo Ribeiro de Oliveira destacou o tratamento da infeção periprotésica, a reconstrução de perdas ósseas extensas e a resposta às necessidades de uma população cada vez mais envelhecida. Defendeu ainda que a qualidade dos cuidados não deveria depender do hospital onde o doente era tratado, considerando essencial reforçar o trabalho em rede, a partilha de dados e a articulação com outras especialidades.
Na mensagem dirigida aos participantes, o presidente da SPEJ salientou a importância da aprendizagem conjunta e da partilha de experiências entre profissionais. “A nossa melhor tecnologia continua a ser a capacidade de aprendermos uns com os outros”, afirmou, acrescentando que, apesar dos avanços dos implantes, da robótica e da inteligência artificial, “o que determina o resultado para o doente continua a ser o julgamento clínico, a experiência partilhada e o trabalho de equipa”.
Paulo Ribeiro de Oliveira apelou à participação ativa dos congressistas, incentivando-os a partilhar casos, dúvidas e experiências, incluindo situações em que os resultados não foram os esperados. Aos profissionais mais jovens, deixou o desafio de questionarem, investigarem e partilharem os seus dados, enquanto aos mais experientes pediu que transmitissem o conhecimento adquirido ao longo da prática clínica.
O presidente concluiu reafirmando o compromisso da SPEJ com a melhoria contínua dos cuidados: “É assim que se constrói uma Ortopedia mais forte, mais próxima e mais justa, e é esse o compromisso da SPEJ: melhorar, em conjunto, a vida dos doentes que nos confiam o seu joelho”.




