06/11/2025
No 44.º Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia, a Sociedade Portuguesa para o Estudo do Joelho (SPEJ), presidida por Paulo Ribeiro de Oliveira, propõe uma reflexão profunda sobre o impacto da tecnologia na prática ortopédica contemporânea, centrando-se na robótica, na inteligência artificial e na sua aplicação nas artroplastias e osteotomias do joelho.
O presidente da SPEJ explica que “o nosso principal objetivo é promover uma discussão crítica, informada e equilibrada sobre a forma como estas tecnologias estão a transformar a cirurgia do joelho”. Sublinha ainda que “é fundamental que a inovação não se torne um fim em si mesma, mas sim uma ferramenta que melhora a qualidade dos resultados e a segurança dos nossos doentes”.
Para além da vertente tecnológica, a SPEJ quer destacar a importância da abordagem multidisciplinar nas patologias do joelho, integrando ortopedistas, reumatologistas e especialistas em medicina física e de reabilitação. “Acreditamos que o futuro da Ortopedia passa por uma visão integrada dos cuidados, onde cada especialidade traz a sua perspetiva e contribui para um tratamento mais completo e eficaz”, afirma Paulo Ribeiro de Oliveira.
Nesse sentido, a sessão da SPEJ no congresso pretende ser “um espaço de partilha de conhecimento, de atualização científica e, sobretudo, de diálogo construtivo entre as várias áreas que se cruzam no tratamento das doenças do joelho”.
Outro ponto forte será a valorização da investigação nacional, com destaque para as comunicações livres. Segundo o presidente, “é fundamental dar voz aos jovens especialistas e às equipas que, todos os dias, investigam e inovam dentro das nossas instituições”. Paulo Ribeiro de Oliveira reforça que “a SPEJ quer ser uma plataforma de crescimento científico, que incentive a produção de conhecimento em Portugal e reforce a nossa presença no panorama internacional da ortopedia”.
Sobre a evolução da área, o líder da SPEJ reconhece que “a Ortopedia do joelho viveu uma revolução nos últimos dez anos, marcada pelo avanço da cirurgia reconstrutiva, pela personalização do tratamento e pela digitalização do planeamento cirúrgico”. No entanto, adverte que “cada salto tecnológico traz novos desafios, e é nosso dever garantir que a equidade de acesso, a formação sólida dos cirurgiões e a sustentabilidade dos recursos caminhem lado a lado com a inovação”.
O especialista defende ainda que “devemos manter uma atitude crítica perante as novas tecnologias: a robótica e a inteligência artificial têm um enorme potencial, mas precisam de ser avaliadas de forma rigorosa, com base em resultados concretos e evidência científica robusta”.
Na sua mensagem final aos participantes do congresso, Paulo Ribeiro de Oliveira deixa um apelo à união e à partilha: “A Ortopedia é uma ciência feita de colaboração. Só através da cooperação entre sociedades, centros hospitalares e gerações de profissionais conseguiremos garantir um futuro mais sólido para a nossa especialidade”. Acrescenta que “o futuro da cirurgia do joelho será tanto mais promissor quanto maior for a nossa capacidade de equilibrar tecnologia e humanização”.
